domingo, 10 de julho de 2011

Um pouco sobre o rock and roll

Por Zeca do Trombone (MS)*

O rock and roll (rock & roll, rock'n'roll, R&R) se originou e se desenvolveu nos Estados Unidos no final da década de 1940 e início da de 1950. É uma combinação de blues, country music (música sertaneja), jazz e música gospel. Embora se escutem batidas do R&R nos discos da música caipira dos anos 30 e nos de blues desde os 20, o nome só surgiu na década de 1950. Uma forma inicial foi o “rockabilly”, que misturava música caipira e jazz com influências da música folclórica e gospel.
No R&R do final da década de 1940 e início da de 1950, ou o piano ou o saxofone era o instrumento de solo, mas foram substituídos ou suplementados pelo violão e pela guitarra dos meados ao final da década de 1950. A levada é essencialmente um ritmo de blues boogie woogie com uma batida no tempo fraco acentuada, quase sempre dada pela caixa. O R&R clássico é geralmente tocado com uma ou duas guitarras (uma de solo, outra de base), um baixo acústico ou (depois dos meados da década de 1950) um baixo elétrico e uma bateria.
O R&R começou a alcançar popularidade nos anos 60 e se espalhou pelo mundo todo, causando grande impacto social. Diz Bobby Gillespie: “Quando Chuck Berry cantou ‘Hail, hail, rock and roll, deliver me from the days of old’ (Êi, êi, rock and roll, me tire dos dias antigos), foi isso exatamente o que a música estava fazendo. Chuck Berry deu início à fuga da prisão global que é o rock’n’roll”.
Muito além de simplesmente uma forma musical, o R&R visto nos filmes e na televisão influenciou estilos de vida, a moda, atitudes e a língua. Ele produziu várias subcategorias, em geral sem a batida acentuada no tempo fraco do compasso quaternário ou binário característica do início, que são agora mais comumente chamadas simplesmente de “música de rock” ou “rock”.

Origens

Quanto às origens do R&R, o consenso geral é de que ele surgiu no Sul dos Estados Unidos por meio da fusão de diferentes tradições musicais que se desenvolveram a partir dos escravos africanos e dos imigrantes europeus. A migração de escravos libertos e de seus descendentes para os centros urbanos como Memphis e para o Norte - Nova York, Detroit, Chicago, Cleveland e Buffalo – aproximou os bairros dos negros aos dos brancos. Eles passaram a ouvir a música uns dos outros e a competir. As emissoras de rádio, que tocavam músicas de negros e brancos, o desenvolvimento e a disseminação do disco e os estilos musicais como o jazz e o swing, tocados por músicos das duas raças, ajudaram no processo de “colisão cultural”.
As raízes imediatas do R&R jazem na chamada “música racial” e na música caipira (depois chamadas de rhythm and blues e country and western) dos anos 40 e 50. Foram influências particularmente significativas o jazz, o blues, o boogie woogie, o country, o folk e a música gospel. Há divergências sobre quais desses estilos foram os mais importantes e o grau em que a nova música não tenha passado de outro nome para o rhythm and blues africano entrar no mercado branco ou de um híbrido de formas negras e brancas.
Nos anos 30, o jazz, e particularmente o swing, tanto o tocado por bandas de baile urbanas como o swing country com influência do blues, foi a primeira música a apresentar sons afro-americanos às platéias brancas. Os anos 40 viram o crescente uso dos sopros, incluindo saxofones, letras gritadas e batidas de boogie woogie na música baseada no jazz. Durante a II Guerra Mundial e imediatamente depois, por causa da falta de combustível, platéias menores e menos músicos, as grandes bandas de jazz escassearam e surgiram grupos menores, usando guitarra, baixo e bateria. No mesmo período, particularmente no litoral Oeste e no Centro-Oeste, o aparecimento do “jump blues” (um blues com andamento acelerado, tocado por pequenos grupos e com instrumentos de sopro), com seus refrões de guitarra, batidas fortes e canto gritado, prenunciou o que estava por vir. No documentário “Hail! Hail! Rock’n’Roll”, Bruce Springsteen dá uma explicação convincente de como Chuck Berry desenvolveu seu tipo de rock, transpondo a linha de solo de duas estrofes do piano do jump blues diretamente para a guitarra elétrica, criando o que é instantaneamente reconhecido como guitarra de rock. Da mesma forma, o country boogie woogie e o blues elétrico de Chicago forneceram muitos dos elementos que passariam a ser a característica do rock and roll.

Progresso tecnológico
O rock e roll chegou num momento de considerável mudança tecnológica, pouco depois do desenvolvimento da guitarra elétrica, do amplificador e do microfone e do disco de 45 rotações por minuto. Houve também mudanças na indústria fonográfica. Selos independentes como Atlantic, Sun e Chess conquistaram seu público específico e conseguiram que maior número de emissoras de rádio tocassem sua música. Foi a percepção de que os adolescentes brancos relativamente afluentes estavam ouvindo sua música que levou ao desenvolvimento do que ia ser definido como rock and roll como um gênero distinto.
A frase “rocking and rolling” (balançando e rolando) descrevia originalmente o movimento de um navio no mar, mas foi usada no início do século XX para descrever o fervor das funções religiosas das igrejas negras e como analogia sexual. Várias gravações de gospel, blues e swing usaram a frase antes de ela passar a ser usada com maior freqüência – mas ainda intermitentemente – em meados dos anos 40 em gravações e artigos de jornal se referindo ao que se tornou conhecido como música “rhythm and blues” destinada ao público negro. Em 1951, o DJ de Cleveland, Ohio, Alan Freed, começou a tocar esse estilo de músico e a chamá-lo de “rock and roll”.
Pelo fato de o desenvolvimento do rock and roll ter sido um processo evolucionário, não há um disco que possa ser identificado como o primeiro do novo estilo. Um dos que reivindica a glória é o “Rocket 88”, de Jackie Brenston e seus Delta Cats (pseudônimo de Ike Turner e de sua banda The Kings of Rhythm), gravado por Sam Phillips para o selo Sun Records em março de 1951. Em termos de amplo impacto cultural através da sociedade dos Estados Unidos e fora do país, o “Rock Around the Clock”, de Bill Haley, gravado em abril de 1954, um sucesso comercial só no ano seguinte, é reconhecido como um marco importante, mas foi precedido por muitas gravações de décadas anteriores em que elementos de rock and roll podem ser facilmente discernidos.

Rockabilly

"Rockabilly" normalmente, mas não exclusivamente, se refere ao tipo de rock and roll que era tocado e gravado em meados dos anos 50 por cantores brancos como Elvis Presley, Carl Perkins e Jerry Lee Lewis que se fixava mais nas raízes “country”. Muitos dos outros cantores populares de rock and roll da época, como Fats Domino e Little Richard, saíram da tradição negra do rhythm and blues, tornando a música atraente para as platéias brancas e não são classificados como “rockabilly”.
Em julho de 1954. Elvis Presley gravou o sucesso regional “That’s All Right (Mama)” no estúdio da Sun de Sam Phillips, em Memphis. Três meses antes, em 12 de abril de 1954, Bill Haley & His Comets gravaram “Rock Around the Clock”. Embora esta música tivesse sido um sucesso pequeno quando foi lançada, quando usada na sequência de abertura do filme “Blackboard Jungle”, um ano depois, ela realmente pôs a coqueluche do rock and roll em movimento. A música se tornou um dos maiores sucessos da história e legiões de fãs adolescentes acorriam para assistir Haley and the Comets, provocando tumulto em algumas cidades. “Rock Around the Clock” foi o impulso fatal tanto para o grupo como para o rock and roll. Se tudo o que veio antes preparou o caminho, “Rock Around the Clock” lançou a música para o público global.
Em 1956, o movimento rockabilly foi ajudado pelo sucesso de músicas como “Folsom Prison Blues”, de Johnny Cash,
“Blue Suede Shoes”, de Perkins, e “Heartbreak Hotel”, de Presley. Durante alguns anos, ele se tornou a forma de rock and roll de maior sucesso comercial. Posteriormente, as apresentações do estilo rockabilly, particularmente de compositores cantores como Buddy Holly, seriam uma influência importante nas do grupo British Invasion e particularmente na forma de compor dos The Beatles e, através destes, na própria natureza da música rock and roll.

Doo wop

Doo wop foi uma das mais importantes formas do rock and roll da década de 1950, com ênfase nas harmonias multivocais e letras sem sentido do “backing vocal” (do que o gênero ganhou o nome), tudo normalmente acompanhado com instrumentação leve. Suas origens eram os grupos vocais afro-americanos das décadas de 1930 e 1940, como Ink Spots e The Mills Brothers, que tiveram suecesso comercial considerável. Eles foram secundados pelos shows de R&B dos anos 40 como dos The Orioles, The Ravens e The Clovers, que injetaram um forte elemento do gospel tradicional e, cada vez mais, a energia do jump blues. Por volta de 1954, à medida em que o rock and roll começava a aparecer, numerosos espetáculos semelhantes começaram a migrar do nicho do R&B para o sucesso global, muitas vezes com a adição de metaleira espalhafatosa e saxofone. The Crows, The Penguins, The El Dorados e The Turbans, todos emplacaram importantes sucessos.
Apesar da explosão subseqüente das gravações das músicas doo wop no final dos anos 50, muitas não conseguiram prosperar e foram um sucesso passageiro. As exceções incluíram The Platters, com músicas como “The Great Pretender” (1955), e The Coasters, com músicas divertidas como “Yakety Yak” (1958), que registraram o maior sucesso para o R&R na época. Já no final da década havia crescentes números de cantores brancos, particularmente ítalo-americanos, assumindo o doo wop, criando grupos como The Mystics and Dion e The Belmonts, só de brancos, e grupos racialmente integrados como The Dell Vikings e The impalas. Doo wop viria a ser uma influência importante na música vocal do surf, no soul e na batida de Mersey, incluindo The Beatles.

Efeitos sociais

Muito mais do que um simples gênero musical, o rock and roll influenciou estilos de vida, a moda, atitudes e a língua. Além disso, o rock and roll pode ter ajudado a causa do movimento dos direitos civis porque os adolescentes tanto negros como brancos gostavam da música. Fez surgirem também muitos outros estilos, como o rock psicodélico, o rock progressivo, o rock glamoroso, o rock alternativo, o rock punk e o heavy metal.
Muitas das primeiras músicas do rock and roll tratavam de temas como carros, escola, namoro e roupas. Elas descreviam fatos e conflitos com que os ouvintes podiam se relacionar até um certo ponto por sua própria experiência de vida. Assuntos que eram considerados proibidos, como sexo, começaram a ser introduzidos na música rock and roll. Ela procurava romper barreiras e expressar as verdadeiras emoções que as pessoas estavam sentindo mas sobre as quais não falavam. Começou a acontecer um despertar da cultura dos jovens norte-americanos.

Estilos de dança

Desde o começo no início dos anos 50 até os 60, a música rock and roll produziu novos estilos de danças. Os adolescentes achavam o ritmo irregular da acentuação do tempo fraco do compasso bom para reacender a dança do jitterbug da era das grandes orquestras. Fizeram furor as danças em ginásios de esporte e nas festinhas em casa e os jovens assistiam o programa American Bandstand, de Dick Clark, para se atualizarem sobre o último estilo de dança e a nova moda de roupas. A partir dos meados dos anos 60, à medida em que o “rock and roll” dava lugar gradativamente ao “rock”, surgiram muitos estilos de dança, começando com o twist até chegar ao funk, disco, house e techno.
(Fonte: Wikepedia)
*José Ramos de Almeida, músico, jornalista, advogado e tradutor juramentado do Ceará